1.6.09

Carta aos meus quatro filhos que poderiam ter nascido (revisitada)



[ego]

"Considerar um plano simples para a minha trajetória me conforta às vezes. Ter uma vida correta, acordar cedo e ler o jornal durante o café. Trabalhar para comprar as coisas que me fariam esquecer das coisas que eu faria se não estivesse trabalhando para comprar as coisas que..."

Falta pouco para as horas mais avançadas dessa que será a madrugada mais fria do ano até agora. Sigo soprando a fumaça pra fora da minha cabeça, resignado. São tempos realmente estranhos em Wonderland - a ameaça de uma hecatombe nuclear está mais próxima que nunca, e mais um avião acaba de sumir em um ponto longíquo sobre o oceano.

Desintegração do indivíduo frente à grande Máquina. Construção de uma nova consciência coletiva, onde nada é novo, tudo já foi dito, redito e linkado. Gostaria de ter mais uma vez a alegria simples de ver uma coruja desavisada pousar no muro, mas as corujas já não pousam por aqui. Foram elas que mudaram ou fui eu?

Subitamente, tive vontade de rever "It's All About Love", o libelo incompreendido de Vinterberg. Os ugandenses não estão voando, mas parece ser uma questão de tempo até nossos corações pararem de bater.

Coréia do Norte, Air France, GM, Obama e Twitter...

"É nesses dias que me lembro de manifestar minhas congratulações. E aí só deixo a vida soprar pra fora a fumaça..."

O que mais?

2 comentários:

Gabriel disse...

Bruno, "muito fóda". Foi a frase que soltei depois que terminei de ler e ficou reverberando na minha cabeça "foram elas que mudaram ou fui eu?"

Eu queria seguir o blog, mas não sei como faz isso sem o atalho google.

um abraço
Ruiz.

Bruno Guerra disse...

Ô, Gabriel! Valeu pela visita e pelo pitaco! Sia pelo Google Reader! Netvibes... Qualquer um!