27.10.09

Pra ver a banda passar! Strange Music, bonequinh0+< e Irmã Talitha em São Paulo


Experimentalismo marca apresentação das bandas Strange Music, bonequinh0+<>no Splash Rock Bar. Casa será palco do reencontro de representantes da cena de Bauru-SP

No próximo sábado, 31 de outubro, às 21h00, o Splash Rock Bar reúne dois nomes da efervescente cena underground de Bauru-SP. A casa vai abrigar o show gratuito das bandas Strange Music (trio de rock alternativo eletrônico/orgânico e lounge), formada em 2006, e da veterana underground bonequinh0+< (garage e noise rock), que já acumula 13 anos de estrada, e se prepara para o lançamento do disco Hellven. É a primeira vez em três anos que as duas bandas dividem o mesmo palco, após a mudança dos integrantes da Strange Music para São Paulo-SP. Ainda na mesma noite, a paulistana Irmã Talitha completa o show com seu hardcore pulsante.

Para os integrantes da Strange Music, a apresentação vai servir para mostrar ao vivo algumas composições do terceiro disco, Música Estranha, em fase de gravação, além de ser uma oportunidade de matar as saudades da cena bauruense. “É um prazer poder ouvir ao vivo mais uma vez o som noise e cru da bonequinh0+<, que inclusive já participou de alguns shows com a gente, quando estávamos começando em Bauru”, diz Diego Bravo, um dos guitarristas e programadores da Strange Music.

O grupo esteve em destaque durante o final de 2008 e primeiro semestre de 2009, principalmente após sua participação no show de lançamento da operadora de telefonia móvel Oi no Estado de São Paulo, quando abriu para Frejat e Lulu Santos no palco de Bauru, e apresentação no projeto Sonoridade Máxima (organizado pelo Centro Cultural SP e dedicado às novas bandas).

-----------------------------------------------------------------------------
SERVIÇO:
Show das bandas Strange Music, bonequinh0+< style="font-weight: bold;">Splash Rock Bar
– Rua Padre Ildefonso, 64, Santana (ao lado da estação Tietê do metrô)
60 lugares - Não aceita cartões de crédito ou débito
ENTRADA GRATUITA
------------------------------------------------------------------------------

Sobre a Strange Music
Formada em 2006, a Strange Music faz uma mistura de rock alternativo dançante, lounge e soul, usando guitarras e bases eletrônicas. Criada pelos amigos Bruno Guerra (guitarra/voz/programações) e Diego Bravo (guitarra/programações/outros), a banda também conta hoje com a participação de Juliano Domingues (guitarra/vocais). Residente em São Paulo, o trio já lançou, de forma independente os discos For Ordinary People (2006) e Moonrise (2007), e se apresentou em locais como o Centro Cultural São Paulo, Túnel do Tempo e Bar Brahma. O som da Strange Music pode ser conferido gratuitamente no site www.myspace.com/musicaestranha. Interessados em saber mais sobre a banda podem visitar o endereço www.strangemusic.zip.net.

21.10.09

Manual prático do niilismo para o self-made man


Che-Mickey: a fagulha da revolta está à venda, e não custa caro

Perdoem-me os incautos, mas o sabor da noite é de niilismo, nicotina e água mineral.

E, enquanto a verborragia loquaz e cheia de dentes do empregador transborda no discurso apaixonado do empregado subserviente, a revolução armada de Che Guevara já não serve mais. Ao menos para nós, a classe média horrorizada e farta "de tanta violência", "tanta miséria", "tanta corrupção" e "tamanha exploração". Não, a fagulha da revolta tem preço. E um tanto menor que imaginávamos.

Afinal, nem mesmo nós, senhores absolutos de pequenos feudos - maravilhosos e desimportantes - podemos vencer a lógica inexorável dele: das kapital. A mudança permanece aprisionada. Pelo menos enquanto acreditarmos - como a empregada doméstica explorada durante o ano inteiro, mas que durante uma noite reina absoluta na passarela do samba (assista a Cronicamente Inviável de Sergio Bianchi) - que é possível ocupar um lugar melhor na cadeia alimentar da Era da Informação. Um lugar acima de outrém.

O conforto do status quo - meio assim, nem muito em cima, nem muito embaixo - dá tempo pra se preocupar em "ser melhor", ou evitar que as coisas ("pelo menos para mim") fiquem piores.
Torna o rebelado um conformista. O ateu, um crente. O esquerdista, um centrista. E o direitista, um afortunado. Até que a vida passe. A Nêmesis da classe média é sua desastrosa busca pelo sucesso do indivíduo - personificada pelo self-made man -, que faz o sujeito querer crescer sozinho, a qualquer preço, e se incomodar por demais com quem não acompanhe essa ascensão.

Mas não importa. Afinal, temos ar condicionado, carro do ano, TV a cabo, uma roupa bonita pra quando quisermos sair. Somos abençoados com a exploração honesta de um emprego que nos cala diante da posibilidade de perdê-lo. Tivemos oportunidades na vida, coisa que muita gente não tem. Nos é reservado o direito de enclausurar nossos ideais em livros que nunca leremos e camisetas que estampam o rosto messiânico de nossos (desconhecidos) heróis.

E, mais importante de tudo: podemos subir na vida.

6.10.09

O caráter “libertário” de uma cinta-liga (?)



Feminista em manifestação nos anos 1960: mostrar o corpo não tem nada de novo

Há pouco mais de uma semana entrevistei Anne Becker (20 anos, estudante de moda, e uma das musas [in]voluntárias do movimento #lingerieday¹), que, com seu arquétipo digital no Twitter – @annebecker –, atraiu a atenção de homens e mulheres (uns 2 mil pra ser um tanto preciso) ao expor corpo e ideias nas chamadas “mídias sociais”. Veementemente criticado pela iniciativa, cedi o espaço aqui configurado a uma ilustre representante do “segundo sexo” (na definição grave de Simone de Beauvoir) – uma mulher, jornalista e pesquisadora das questões de gênero – que julgou a publicação do post uma atitude dessas que reiteram a “posição de inferioridade” feminina na sociedade.

Em minha defesa (e não que eu ache necessário fazê-la), a entrevista, como o título já adiantava, buscava compreender como a Internet radicalizou as possibilidades de romper a barreira do anonimato (ou esculhambar esse conceito tão relativo), seja postando fotos provocantes, seja atacando a esquerda ou a direta, ou ainda produzindo conteúdo sobre qualquer coisa que seja. Claro, não sou hipócrita. Entrevistar uma “musa” da rede vai, invariavelmente, atrair a atenção dos incautos. Ainda mais se ela for @annebecker. E estiver “seminua”. Don’t hate the player, hate the game.

Ademais, o espaço está aberto. E o diálogo é pertinente. Sempre.

¹ Coordenado por Gravataí Merengue – @gravz –, entre outros, o movimento convidava mulheres a colocar em seus perfis do Twitter – no dia  29/07 (supostamente o Dia Internacional da Lingerie) – fotos em que estivessem vestindo lingerie.



Sobre lingeries e submissão – a urgência da condição
feminina segundo uma (outra) mulher
por Talita Zanetti, jornalista e especialista nas 
questões de gênero ligadas ao feminino



“É preciso examinar o arquétipo da mulher moderna. Mulher emancipada, é certo, mas cuja emancipação não atenuou as duas funções, sedutora e doméstica, da mulher burguesa”. Edgar Morin

Toda a discussão começou na manhã de terça-feira passada, 29 de setembro, quando o Bruno anunciou a entrevista com Anne Becker para o Cotidiano Gonzo. Minha reação foi: “Por que você fez isso?” A reposta: “Para conseguir uma maior exposição do meu blog”. Fiquei estarrecida com a resposta. Como assim, em um meio que se pretende “a nova fronteira da comunicação”, as chamadas mídias sociais, é necessário utilizar a mais simples e primária estratégia de marketing, a exposição de uma mulher seminua, para conseguir visibilidade? Desanimador. Mais do mesmo. Bom, esse foi um ponto da discussão que tratou da comunicação em si, os meios e as mensagens, mas que não é o objetivo do presente post. (Alguém se propõe?) 

O ponto mais explorado na polêmica gerada pela entrevista foi a questão do gênero. Também é desanimador ver que muitas mulheres continuam corroborando com atitudes que reiteram nossa posição de inferioridade na sociedade. Se alguém tiver alguma dívida de que as mulheres continuam sendo o que Simone de Beauvoir chamou de ‘segundo sexo’, seguem dados ilustrativos: a RAIS - Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego de 2008 constatou que a proporção dos salários médios das mulheres, quando comparados aos dos homens, ficou em 82,8%. Mostrou, ainda, que se tal diferença for restringida a profissionais com nível superior completo, a diferença salarial é ainda mais expressiva: as mulheres têm salários médios que correspondem a 56,5% dos salários dos homens. Para falar em jornalistas especificamente (grande parte do público deste blog), o último levantamento é datado de 2004, e constata que as profissionais do sexo feminino ganhavam cerca de 78,77% dos salários dos profissionais do sexo masculino.

A leitura superficial desse tipo de comportamento ou posicionamento pode levar a considerações, já expressas neste blog, do tipo: “que atitude corajosa, libertária, a menina não tem medo de falar sobre sexo, de expor a sexualidade”. Este, inclusive, é o ponto mais interessante da entrevista da garota, quanto esta tenta se defender de posturas conservadoras ou discriminatórias: Ah sim, muita gente me chama de puta, vaca, tem gente que acha que eu sou só a foto mesmo e porque eu falo de sexo eu sou uma imbecil sem nada na cabeça, mas eu sinceramente não ligo. Alias, falando mais sobre as pessoas que têm essa atitude negativa quanto a mim (ou qualquer pessoa com mais "liberdade"), eu acho é que na verdade é muito dificil pra maioria das pessoas conceber o fato de que sexualidade não é uma coisa "feia". Tem muita gente que acha que tem que ter extremo pudor ao falar sobre isso, como se fosse errado. 

Concordo com a parte em que ela fala da dificuldade das pessoas falarem sobre sexo, como se fosse uma coisa errada. Conheço as pessoas e sei como nossa sociedade é conservadora e hipócrita. Longe de mim defender a repressão a qualquer tipo de atitude em favor da liberdade. Porém, a critica se coloca no fato de que a exposição do corpo feminino não tem nada de libertária como quer nossa querida Anne Becker, quanto se apresenta como pessoa com mais "liberdade". A exposição do corpo feminino como uma demonstração de vanguardismo, com um quê revolucionário, foi um artifício utilizado pelas mulheres feministas já nas décadas de 1960 e 1970, e foram manifestações inseridas em um contexto histórico muito diferente do nosso. Ou seja, a exposição do corpo feminino não é nenhuma novidade.

Acredito que falta a percepção de que a banalização do corpo feminino corrobora com o machismo reinante na nossa sociedade na medida em que representa a desvalorização da mulher e sua submissão aos estereótipos de beleza, moda e sedução que nos escravizam em todos os tempos (aliás, um dos grandes símbolos da revolução feminista foi a queima de sutiãs, o que também questiona o caráter “libertário” de uma cinta-liga). 

Bom, meus caros e caras, minha intenção aqui não é atacar ninguém, quero apenas apresentar meu ponto de vista e incitar uma discussão um pouco mais aprofundada sobre uma das questões que considero mais urgentes na nossa sociedade: a condição feminina.

29.9.09

Entrevista com @annebecker, ou, Como as redes sociais transformaram o conceito de 'anonimato'






















@annebecker: seus posts já tiraram o sono de mais de 2 mil seguidores

Se você está no Twitter, são grandes as chances de já ter ouvido falar dela. @annebecker já causou discórdia por conta do #lingerieday, mas, no fim das contas, só quer mesmo poder falar o que quiser (em 140) caracteres. Em uma noite ébria de segunda-feira, o Cotidiano Gonzo falou com a garota que já tirou o sono de mais de 2 mil seguidores. Confira.

Cotidiano Gonzo 
desde quando você está no Twitter? 

Anne:  
hm, começar mesmo acho que comecei no final de 2007 ou começo de 2008, mas fui passar a usar de verdade e postar com frequencia mais ou menos em fevereiro de 2009. 

e você tem algum objetivo tangível com isso? 
com o twitter? não, eu posto por diversão mesmo. conheci algumas pessoas muito legais por lá (conheci até meu namorado via twitter) e achei até estranho como eu fiquei meio "popular" com o tempo, mas é só diversão mesmo. claro que se aparecer alguma coisa "séria" que envolva o twitter e a minha imagem na internet, eu vou considerar sim. 

e a que você atribui a popularização do seu Twitter?  
Acho que boa parte foram pelas fotos que eu posto, claro. Mas não sei, eu falo bastante besteira também e tenho amigos "conhecidos" na internet que eu costumo conversar bastante via twitter, daí uma coisa leva a outra...

você enfrentou algum tipo de represália por conta do lingerie day e por postar fotos (como essa do seu MSN), digamos, insinuantes? 

Ah sim, muita gente me chama de puta, vaca, tem gente que acha que eu sou só a foto mesmo e porque eu falo de sexo eu sou uma imbecil sem nada na cabeça, mas eu sinceramente não ligo. Alias, falando mais sobre as pessoas que têm essa atitude negativa quanto a mim (ou qualquer pessoa com mais "liberdade"), eu acho é que na verdade é muito dificil pra maioria das pessoas conceber o fato de que sexualidade não é uma coisa "feia". Tem muita gente que acha que tem que ter extremo pudor ao falar sobre isso, como se fosse errado. E é por isso que tem tanta menina nova ficando gravida cedo ou não sabendo o que fazer com a vida sexual.

quantos anos você tem? 

20 anos.

e o que você faz da vida?

Eu estudo e trabalho com moda.

seu nome é Anne Becker de verdade?

Sim

bonito nome! e como minha cerveja e meus cigarros vão acabar logo mais, proponho um "pergunta e resposta" rápido. Que tal? 
ok haha ;p

1.) Um 'must follow' do Twitter 
Nossa, muitos, pode ser mais de um?

Até 3. 
@lubom, @tdbem e @gravz.

2.) @annebecker é.. 
louca, acho. aiuheiuha 

3.) Orkut, Facebook ou Twitter? 
Twitter.

4.) Por quê? 
Mais dinamico e mais rapido. 

5.) Uma mensagem para todos aqueles que querem te ver nua depois do #lingerieday 
Só acontece se tiver muito dinheiro envolvido, caso contrário, sorry! Mas obrigada ;p 

6.) (e pra finalizar) por que deveríamos continuar te seguindo (além das fotos)? 
Não sei, quem me segue que deveria dizer isso, não eu, né?

28.9.09

Quem tem medo das mídias sociais?


Tas no Seminário INFO: "O Twitter é para ouvir". Tá certo então...


Esses dias rolou de ir ao Seminário Info – Twitter, orkut e Flickr. Foi num hotel chique no Brooklin. Tinha muita comida de coquetel e espaço ao ar livre pra fazer fumaça. Walter Longo esteve lá (grata surpresa, já que eu não conhecia o mancebo), bem como Marcelo Tas, que pagou de showman e falou pouca coisa pra valer (além de "O Twitter serve para ouvir"). Tinha internet wireless, o que, aliás, permitiu que eu fizesse uma cobertura em tempo (quase) real pelo Twitter.

Agora os pontos que me incomodaram sobremaneira.

1. Ninguém sabe exatamente do que está falando quando o assunto é "mídias sociais"

Porra. Sentar por quase 10 horas em um auditório e ouvir umas 57 vezes que "ainda é muito incerto", "são possibilidades embrionárias" e o cacete não era exatamente o que eu estava esperando. Ok, eu sabia que ia ser mais ou menos isso mesmo, dada a ignorância generalizada acerca do assunto e a quantidade de pessoas com mais de 30 anos que lotavam o evento. However, achei que poderia ver como (afinal, como?) as empresas estão lidando com a nova bolha da internet.


No fim, só descobri que: a lendária venda de apartamento que a Tecnisa fez pelo Twitter serviu para o gerente de comunicação digital (ou algo que o valha) da construtora, um cara aparentemente gente boa, reverter um pouco a sua 'fama' de vagabundo dentro da empresa; o Twitter da Natura (não procurei e não achei o link) é mantido por 9 pessoas que se revesam semanalmente; alguns diretores não fazem "a menor idéia" de quais ferramentas ou aplicativos podem ser utilizados para gerenciar os perfis de suas empresas nas redes sociais. Muito emocionante.

2. Empresas com medo saltam no escuro em busca de "gestão da comunicação digital"

Calma, muita calma! Nada contra aproveitar que finalmente o cidadão comum possa meter medo em uma corporação simplesmente por escrever alguma merda em um formulário de comentários de um blog corporativo, e que alguém possa ganhar uma grana com isso. O problema é que estão criando uma atmosfera terrorista em cima do negócio. E tem muita gente disposta a lucrar em cima, sem (repito o que já disse) saber exatamente do que está falando (e/ou o que está fazendo).

Meus caros executivos, CEOs, stakefuckingholders e chairmen de todos os tipos: não se iludam. Ainda vai levar um tempo até que consigamos derrubá-los com o clique de um mouse, ou uma choradinha no Twitter. Então, valorize o conselho que dou de graça (mas só desta vez,): só entre nessa se souber quem você está pagando. E para fazer o quê. A velha máxima permanece: Don't believe the hype!


E muito menos em um blogueiro/"tuiteiro" que se define como "relevante". Argh!

P.S.: siga o Cotidiano Gonzo no Twitter. É só clicar aqui, e se juntar ao lado Gonzo da Força.

22.9.09

No Twitter


Perfil do Cotidiano Gonzo no Twitter: #FuckingFollow

Demorou, mas inaugurei. A mais nova forma de encher o saco de todo mundo com atualizações do Cotidiano Gonzo e outra extravagâncias. Vocês ainda vão ouvir falar de nós. Em 140 caracteres.

Os incautos podem seguir por aqui. Ou, simplesmente clicar no menu aí ao lado.

Enjoy!

14.9.09

Cinco (ou mais) músicas para ouvir durante o sexo



Antes de mais nada, essa lista foi praticamente encomendada. Some-se a isso o fato de que rankings de qualquer coisa parecem fazer sucesso na blogosfera e temos mais um post gloriosamente supérfluo - e extremamente carregado de hormônios.


Bem, pra quem quer se aprimorar na lida, um novo truque é sempre benvindo. E uma playlist bem escolhida pode ajudar a quebrar o gelo e emoldurar melhor aqueles momentos íntimos, por assim dizer.

Apresento-lhes cinco (ou mais) músicas para se ouvir durante o sexo (mas espero que a sua brincadeira dure um pouco mais que isso):

5-) "Walk on the Wild Side" - Lou Reed



Quem diria que o heroin junkie seria uma boa escolha pras preliminares? Eu não acreditava até tentar.

4-) "Time of the Season" - The Zombies



Apesar do nome meio mórbido, a banda deve ter embalado vários amassos dentro dos carros com este hit da década de 1960. "It's the time of the season for loving".

3-) "I'm Your Boogie Man" / "Keep it Coming Love" - KC and the Sunshine Band



Ok, ok. A banda é farofa, e a(s) escolha(s), polêmica(s). Mas sempre funcionou pra mim. Talvez seja interessante experimentar também a versão do White Zombie (abaixo) para a primeira delas.



2-) "I Get Lifted" - George McCrae



Esse funkeiro da Flórida conseguiu criar uma das músicas mais sexy dos anos 1970. Preste atenção no baixo, se puder. "Girl, I can tell ya', you turn me on". Indeed, indeed.

1-) "Sexual Healing" e "Let's Get it On" - Marvin Gaye

Não consegui evitar o clichê. Empate técnico do Trouble Man com ele mesmo. Ia limar "Let's Get in On", já que a música foi usada até em um filme do Hugh Grant, e deixar só "Sexual Healing", mas não deu. Medalha de ouro dupla para Mr. Gaye. Deixe a cura começar...



11.9.09

Cachaça em 140 caracteres


Cachaça Poesia: embalagem-livro e perfil no Twitter

Não é por nada, mas não é sempre que se vê uma marca de cachaça no Twitter. Ainda mais uma das boas. Eu já provei a Poesia - artesanal, do sul de Minas -, e recomendo. Por conta dela, aliás, já fui parar no Rio e em Brasília, onde arranhei alguns sabores e dissabores. Vida.

Enfim. Além de ser uma das poucas aguardentes que tem um site decente, onde é possível comprar com segurança e encontrar informações sobre o produto, a Poesia enveredou pro microblog-febre-das-mídias-sociais, usando o serviço para diivulgar algumas promoções e conteúdos correlatos.

No domingo agora, 13/09, rola uma dessas promos. É Dia Nacional da Cachaça, e pra comemorar, a Poesia vai premiar os três candangos que enviarem a melhor frase ou poema sobre a BOA E VELHA BRANQUINHA com um kit especial "Livro de Poesia" (foto acima), uma embalagem especial pra presente, com uma garrafa de 700 ml e dois copos personalizados. Detalhes aqui.

Siga o Poeta (@CachacaPoesia), mande sua tentiva no dia 13 e seja feliz!

"Bebo da branca / Bebo da amarela / Só não bebo da roxa / Porque não inventaram ela." (Quadra popular em Minas)

7.9.09

Os três melhores grupos femininos dos anos 1960


The Ronettes: alguém aí pensou em Amy Winehouse?

Depois da onda do Doo Wop, entrei numas de escutar grupos vocais femininos. Um lance de explicação algo cronológica, já que um movimento veio logo depois do outro (historicamente falando). O som dos grupos femininos (que eram, em sua maioria, trios) foi uma mistura de pop com R&B e rock n' roll que virou moda no início dos anos 1960, suplantando o Doo Wop. No entanto, as garotas herdaram deste último a tendência de usar as vozes como arranjos em harmonias suaves que serviam de escada para a lead singer - muitas vezes mal se escutava a banda tocando ao fundo.

Sem mais delongas, minha homenagem cabalística aos três melhores grupos vocais femininos da década de 1960.

3-) The Ronettes





Encabeçadas por Ronnie Bennett (que mais tarde se tornaria Ronnie Spector ao se casar com o seu produtor, o lendário Phil Spector), as Ronettes bombaram com o hit "Be My Baby" (talvez o único grande sucesso delas). O burburinho foi tanto que o grupo foi o primeiro composto por mulheres a tocar com os Beatles. Dá pra ver o motivo (e também, de onde Amy Winehouse tirou seu look).



2-) The Supremes





Berço de Diana Ross, as Supremes foram o grupo americano de maior sucesso dos anos 1960, rivalizando com o Fab Four em termos de apelo comercial pelo mundo. Creio eu que, entre os grupos femininos da época, elas foram também as que mais botaram o povo pra dançar. E elas também dançavam, ensaiadinhas, como dá pra ver pela coreografia do vídeo acima.


1-) The Shirelles





Essas podem ser consideradas o The Platters de saias. Não dá pra competir (até porque, contrariando a regra, são um quarteto). Além da pedrada óbvia de "Will You Still Love Me Tomorrow?", elas acumularam hits do calibre de "Baby It's You" (dos Beatles, novamente eles), "Dedicated to the One I Love" e "Mama Said". Mandavam incrivelmente bem. E mostraram que continuam dando conta do recado numa reunião realizada recentemente (abaixo).



5.9.09

A São Paulo Restaurant Week definitivamente não me desceu bem


São Paulo Restaurant Week 2009: gastronomia de ricos para remediados

Gastronomia não é muito minha praia. Claro que gosto de comer bem. Aliás, quem não gosta? E, apesar de meu paladar não ser refinado a ponto de recusar uma coxinha de frango de boteco, a idéia de jantar em um restaurante de bacana até que me encantou quando começou o burburinho em torno da São Paulo Restaurant Week 2009.

Motivado mais pelo hype - e pela insistência cálida dos amigos - do que qualquer coisa, aderi à 5ª edição do evento de comilança-de-ricos-para-remediados. De um jeito meio que "de qualquer jeito", escolhemos (na real, escolheram por mim) o Le Buteque , para um jantar, na sexta-feira, dia 04 de setembro.

Demorou um pouco, mas não muito, pra perceber que seria uma CILADA. O lance todo já estava estranho o sufuciente quando descemos a Haddock Lobo no sentido do bairro-vitrine dos Jardins. À medida em que a Avenida Paulista ficava mais distante atrás de nós, eu me sentia cada vez mais inadequado em minha camisa (meio amassada) de algodão de R$ 39,90.

Quando, finalmente, entramos no bistrô, a decepção veio como uma onda de mescalina. ZIIIIIIIMMMMMMMM! Parecia uma pequena lanchonete fast food à meia luz (com preços exorbitantes, of course), borrifada de clima francês. Nos acomodamos no piso superior, onde grupos de bacanas e remediados estavam entretidos na lida.

Confesso que reparei menos do que gostaria no espaço. Só chamou a atenção o fato de podermos ver, da mesa que escolhemos, toda a movimentação da cozinha do lugar. Pelo que consegui ver, todos os presentes tinham optado pelo cardápio promocional do SPRW, que, por 39,00 + R$ 1,00 (de doação para o Ação Criança) oferecia as seguintes opções:

Jantar

Entrada
Salada de lentilhas com ovo frito
ou
Lula grelhada ao molho mostarda (X)

Prato principal
Linguiça de peixe, creme de limão com legumes (X)
ou
Penne com ragu de boeuf bourguignon

Sobremesa
Bandeja de sobremesas variadas (?)

Escolhemos, todos, a lula (inclusive eu, que odeio, mas queria dar uma nova chance), a linguiça de peixe, e sobremesas diferentes. Eu fiquei com um doce de chocolate crocante cujo nome não me recordo. Para beber, fomos servidos, insistentemente, de garrafas e mais garrafas de água com gás. Também rolou um pequeno couver, que consistia em fatias de pão e uma porçãozinha de manteiga.

Bem, a maratona começou comigo me xingando por ter escolhido a lula.de entrada Não adianta. Dei umas duas garfadas e mal consegui engolir. Não consigo comer algo que tenha tentáculos, simplesmente não consigo. Por sorte, uma das minhas amigas deu conta do resto. Não pude avaliar essa parte do menu. Devia ter ficado com a lentilha (mas, porra, isso eu compro no mercado e faço em casa).

Na sequência, veio a linguiça de peixe, que, segundo o garçom, era um prato bolado pelo chef especialmente para o evento. Nova decepção. Duas linguiças magras (e algo azedas) de aparência cadavérica, UM (!) brócoli, algumas fatias de cenoura e uns exemplares de vagem.
O tal creme de limão era tão figurativo que mal vale a pena mencionar. Tudo no esquema french de quantidade. O prato todo parecia uma refeição de presidiário cambojano. Aliás, acho que é esse o segredo da culinária francesa.

O ponto alto foi a sobremesa. Apesar de que, a esta altura, difícil era piorar. Se o garçom me servisse um misto quente ganharia um beijo na boca. Realmente não me lembro do nome do doce que escolhi (se é que tinha um nome), mas gostei. Uma bolota de chocolate (x1) espumoso, com uma outra camada de chocolate (x2) duro por baixo, recheada por chocolate (x3) cremoso. Fora a falta de imaginação de quem fez, fiquei satisfeito. Os convivas também aprovaram suas respectivas escolhas.

Terminada a última etapa do jantar, fomos embora a toque de caixa para tomar cerveja (pelo menos isso, já que nem olhamos a carta de vinhos temendo um ataque cardíaco). A conta do Le Buteque(inho) ficou em R$ 49 e uns quebrados para cada. Ainda amargamos uma subida triste em direção à civilização remediada da Avenida Paulista. Acabamos escolhendo um bar qualquer em uma das ruas que cortam a Augusta e evitamos falar muito do acontecido. Quem cai numa cilada dessas quer logo esquecer.

Talvez a minha próxima São Paulo Restaurant Week seja mais apetitosa. A desse ano, definitivamente, não me desceu bem.

1.9.09

Uma justa homenagem ao "Trouble Man"



Maceo Parker é um dos maiores saxofonistas do Soul-Jazz. O mancebo inclusive tocou na banda de James Brown, o que acaba com qualquer necessidade de apresentações. Em 1991 ele resolveu prestar uma homenagem ao mítico Marvin Gaye - morto em 1984 - ao incluir uma versão de "Let's Get it On", hit absoluto do gênero, no álbum "Mo' Roots". Em 2004, o músico lançou o DVD "My First Name is Maceo", que contém essa versão (acima) da música. É de chorar. Ou melhor, de sorrir. Por um bom tempo, aliás!

Destaque para a performance impecável do baixista Jerry Preston, que arregaça também nos vocais! E, claro, para o sax alto mágico do Maceo Parker.

Pra quem quiser, aqui embaixo fica a canção na voz de seu dono. Não é pra comparar. Só pra curtir. E sorrir.



Come on! Let's get it on!

30.8.09

Los hermanos brasileños

Postado originalmente no blog Som, teste, som


Brothers of Brazil: os irmãos Supla e João clicados por Mateus Mondini

Às vezes um artista nos surpreende de forma positiva na hora em que menos esperamos. Dessa vez, o culpado é o "Papito" a.k.a. Supla, que fez fama no Brasil nos anos 1980 por ser uma espécie de Billy Idol tupiniquim. O roqueiro, filho de Marta e Eduardo Suplicy, ainda acumulou algumas aparições no cinema, em um reality show e nas paradas de sucesso recentes, principalmente por conta do hit ressucitado "Green Hair" (mais conhecido como "Japa Girl"). No entanto, nos últimos anos o músico andava meio sumido do radar algo obtuso da "grande mídia". Até que, em 2007, juntou-se ao irmão João Suplicy - músico de discografia consistente na seara da MPB - para um show meio improvisado em Londres. Supla, que sempre foi frontman, um entertainer, como ele gosta de dizer, sentou na bateria, sem abandonar os vocais, e João ficou com o violão e voz. A mistura, um combinado inusitado de punk rock e samba/bossa, acabou batizada de Brothers of Brazil por Bernard Rhodes, ex-empresário do Clash, e virou coisa séria.

Os irmãos acabaram ganhando um programa de televisão - "Brothers", na RedeTV - no qual além de apresentar quadros amalucados como o Brothers Ride - em que levam uma "gostosa" pra uma espécie de concurso de xavecos com os transeuntes - eles podem tocar as suas próprias músicas. Entre os compromissos com o programa, as composições foram se empilhando até chegar às 16 faixas do disco "PunkaNova", lançado em agosto de 2009 em uma edição revista-pôster, vendido em bancas de jornal por simpáticos R$ 12,99. E vale cada centavo.


A foto da capa de "PunkaNova" (por Mateus Mondini): CD nas bancas por R$ 12,99

Ao longo dos pouco mais de 40 minutos do álbum, Supla e João mostram um entrosamento meio simbiótico, representado pelas vozes de timbres muito parecidos, sempre harmonizadas em arranjos inteligentes e sofisticados. A bateria de suingue muito particular de Supla dita o ritmo, enquanto João preenche os espaços com as harmonias suaves de seu violão. O clima parece o de uma cocktail party onde os drinks foram "batizados" com algo mais forte que o normal. As letras - em inglês, na maioria das vezes - versam basicamente sobre as aventuras e desventuras da dupla em shows pelo mundo - "I Love the French" é uma deliciosa piada sobre o atendimento blasé em Paris - e as vicissitudes da fama, como em "Paparazzi", inspirada em uma passagem pelo circo midiático montado em torno da casa de Amy Winehouse, e na empolgante "Impostor", mensagem a um comediante que criou um personagem baseado em imitações do Supla.

É possível ouvir algumas das músicas do duo no MySpace da banda. Lá também dá pra conferir a agenda deles e acompanhar as últimas peripécias da banda pelo blog. Experimentar "PunkaNova" na íntegra, no entanto, é mais que recomendável.

C'mon, kids!

22.8.09

As 5 melhores canções Doo Wop de todos os tempos


The Coasters

Tenho escutado muito Doo Wop ultimamente. E, sem querer soar clichê ou parecer que tenho 80 anos, realmente não existem mais músicas como estas hoje em dia.

Achei uma pequena definição do gênero, que talvez ajude os incautos:

"Doo Wop era um dos gêneros mais populares de rock & roll e R&B no final dos anos 50. Os artistas de Doo Wop eram grupos vocais, em que cada cantor era responsável por uma parte, que se relacionava com a dos outros. Frequentemente, os backing vocals cantavam palavras sem sentido, apenas como ritmo, e o nome do gênero deriva dessa prática. A maioria dos grupos de Doo Wop começou como bandas "a capella", se apresentando sem acompanhamento instrumental. Os singles de Doo Wop inspiraram inúmeros adolescentes a formar seus próprios grupos "a capella", embora a maioria destes nunca tenha gravado nenhum disco. Apesar de sua origem "a capella", alguns discos de grupos de Doo Wop foram feitos com acompanhamento instrumental. O Doo Wop sumiu no início dos anos 60, apesar de sua influência ter sido sentida por toda a música pop das décadas seguintes".
*fonte: AllMusic Guide (em tradução livre)

Como não tenho nada melhor pra fazer, resolvi colocar aqui as 5 melhores canções de Doo Wop de todos os tempos! De acordo com os meus próprios critérios, é claro!

O Doo Wop SOBREVIVE!

Enjoy!

5. The Skyliners - Since I Don't Have You



Essa é conhecida de muita gente, por conta de uma versão, feita pela banda capitaneada pelo ruivo mais escandaloso que já pisou este planeta. Fora o solo de guitarra matador, no entanto, prefiro a original.


4. The Marcels - Blue Moon



Bom, essa foi gravada até pelo Rei. Já foi tema de novela aqui no Brasil e etc. As onomatopéias da introdução matam qualquer um.


3. The Penguins - Earth Angel




Na minha opinião, uma das mais bonitas. "I'm just a fool, a fool in love with you". Reparem na coreografia. Contida, porém eficiente.


2. The Coasters - Poison Ivy



Quer uma metáfora melhor pra falar de uma mulher "daquelas" que uma hera venenosa? "She'll really do you in, if you let her get under your skin". Teve até uma versão da Rita Lee por aqui, mas nem vale o link. Google se você tem tempo a perder.


1. The Temptations - My Girl



Hul! Acho que nem preciso explicar a razão de esta ser a número 1.


"Hours Concours" - The Platters - Only You



Os mestres do Doo Wop. Nem podem entrar num "Top 5". Não seria justo.


Menção Honrosa - The Contours - Do You Love Me?



Não é exatamente Doo Wop, já é quase rock, muito mais selvagem e dançante. Mas é DO BALACOBACO, então, quem se importa? Saca a energia do baixinho. E que voz, hein?

19.7.09

Strangely clubbing



[ego] [Strange Music] [música]

Já deve ser público e notório (ao menos para os poucos - porém fiéis e interessantíssimos - leitores deste blog) que sou um dos três guitarristas/programadores/vocalistas da Strange Music, e por supuesto um de seus maiores entusiastas. Pois bem. Apesar disso, percebi que - exceto por um post longínquo - nunca deitei nenhuma linha sobre a banda por aqui. Farei isso agora.

Tenho que começar rendendo tributos a Diego Bravo, também membro fundador dessa nossa extravagância sonora, e exímio videomaker, entre outras coisas. Por conta dos esforços do cidadão, finalmente temos um clipe (veja acima) deveras apresentável de uma música nossa. A referida composição é "Club", ainda inédita em formato físico - estará no nosso 3º disco, "Música Estranha", a ser lançado no início de 2010 -, porém já propagada aos quatro ventos pelos espaços virtuais.

Recolhendo cacos de imagens colhidas aqui e acolá em apresentações recentes que fizemos em espaços enfumaçados e pouco iluminados, experimentando com brinquedos luminosos e suando na edição, Bravo conseguiu parir uma pequena pérola negra. Na minha opinião, pelo menos, já que sou padrinho da criança. Além de tudo, o caboclo ainda deixa vazar sua fixação por figuras femininas nuas (ou semi).

Melhor que isso é impossível!

Por enquanto.

6.7.09

Monstros famosos


The Misfits: que outra banda começaria uma música com "Eu tenho algo a dizer. Hoje eu matei o seu bebê"?

[música]


Os Misfits são realmente geniais. Perdoem-me os desprovidos de senso de humor, mas, que outra banda começaria uma música com "Eu tenho algo a dizer. Hoje eu matei o seu bebê"? Ou faria uma balada que versa sobre um cara que assassina a namorada e depois se sente sozinho "no banco de trás do carro, no drive in"? Bem, eles fizeram. E não para por aí. "Angelfuck", "Mommy, can I go out and kill tonight?" e "Braineaters" são alguns dos nomes que eles usaram para batizar suas composições.

A trupe, formada em 1977 e comandada até hoje pelo baixista Jerry (Caiafa) Only, teve um importante papel na disseminação do chamado horror punk. Advindo do estilo gestado pelos Ramones e parido pelos infames Sex Pistols, essa vertente "filme-b" se diferenciou do original pela temática trash (assassinatos, sangue, zumbis canibais) e bem-humorada, mas manteve as características essencialmente musicais (canções curtas, com três acordes na média, e gravações/execuções toscas).

Apesar do fôlego de seus primeiros discos - "Walk Among Us" (1982) e "Earth A.D." (1983) - no final de 1984 a banda se desmanchou com a saída do vocalista e frontman Glen Danzig (que seguiu uma carreira solo de sucesso razoável, pelo que me consta). O legado dos punks que faziam shows usando sombras pesadíssimas nos olhos e franjas no estilo moicano esticadas para baixo em frente ao rosto (lembra alguma coisa?) estava fadado ao limbo.

Ou não...

Ainda no final dos anos 1980 apareceram algumas coletâneas da banda, e em 1993 o Gun 'n' Roses incluiu a música "Attitude" em seu álbum de covers "The Spaghetti Incident?", o que despertou o interesse tardio de muita gente (mais tarde, em 1998, o Metallica colocaria "Last Caress/Green Hell" em sua lista de homenageadas do disco-tributo "Garage Inc." *Veja comentário de Daniel Souza Luz para mais esclarecimentos!). Em 1995 saiu o (até então) inédito "Static Age", com gravações feitas em 1978 e, em 1996, após algumas pendengas judiciais entre Only e Danzig pelo direito de usar o nome da banda, o grupo voltou à ativa - sem o vocalista original.

Com o desconhecido Michale Graves à frente do microfone (para desespero dos adoradores hardcore de Danzig), os Misfits lançaram "American Psycho" (1997) e "Famous Monsters" (1999). Os detratores não pouparam munição para detonar o novo line-up: Graves era técnico demais e carismático de menos (hey, qual o problema com alcançar notas altas e limpas enquanto se canta sobre cortar os braços e pernas de alguém?); a sonoridade tinha mais de hard rock que de punk (alguém aí notou que não estamos mais em 1977?) entre outras abobrinhas. É claro que outros tantos defendiam a volta da banda e seus membros, e, evidentemente compravam discos (lembra como era isso?) - "Famous Monsters" chegou a ocupar a 2ª posição do top Heatseekers da Billboard em 1999.

"Famous Monters": disco vendeu bem apesar dos detratores


A briga de fãs que não têm mais o que fazer não durou muito, no entanto. Em 2003, Graves (e o resto da banda) já estavam na rua há algum tempo, e Only (único membro remanescente do Misfits) lançou um álbum no mínimo peculiar. Intitulado "Project 1950", o disco reuniu Dez Caneda, ex-Black Flag, na guitarra e (uou!) Marky Ramone na bateria, além, é claro do baixista (e agora vocalista), para uma coleção de versões de músicas antigas ("oldies") como "Great Balls of Fire" (!), eternizada Jerry Lee Lewis, "Runaway" de Del Shannon e (pasmem)!, o mega-hit "Diana" do Paul Anka! Melhor impossível. Depois disso, o Misfits deu uma pausa, até onde sei - não sem antes excursionar com a última formação (incluindo o Brasil) e lançar uma coleção "caça-níqueis" de hits em versão lounge para coquetéis (!) ("Fiend Club Lounge", 2005). E, pelo visto, não há notícia de atividande recente nessas pastagens...

Enfim, só resta recomendar aos incautos que considerem a experiência única de ouvir os roteiros mais escabrosos do terror mais vagabundo transformados em três ou mais acordes, com Danzig, Graves ou Only celebrando a alegria de se estar completamente coberto de sangue. Cenográfico, claro.

30.6.09

Sobre Tom Waits, heras venenosas e o que resta do meu fígado


Tom Waits: o velho rabugento está uivando em algum lugar a uma hora dessas

[ego] [superego] [id] [texto-pílula]

Gostaria que minhas memórias recentes (algo absurdas) fluíssem por aqui com o ritmo sincopado de uma canção de Tom Waits. O velho rabugento está uivando em algum lugar a uma hora dessas, enquanto conto os cacos de mais uma semana descolada do continuum e ignorante da nova ordem mundial. Poesia de rua dentro de um quarto de hotel em que não dormi e uma viagem venenosa pelas heras da cidade esquecida (e sem limites).

É. Talvez ninguém entenda nada. Com um pouco de azar, todo mundo vai entender tudo. Jequitibá-rosa derramada em quantidade imprudente em um copo de cólera, e tudo o que eu não quis foi preservar o fígado e a recém-adquirida inclinação ao pós-moderno - que dizem, afinal, não existir. Reflexos autoinduzidos de cafeína e nicotina na cabeça agora. E os ecos desses dias belos e estranhos continuam a reverberar...

... no ritmo sincopado de uma canção de Tom Waits.

21.6.09

Fear and Loathing in Rio (Parte 2 e final)


Rio de Janeiro: da Av. Atlântica ao Santos Dumont em 7 minutos

[ego]

(continuando...)

Como eu falava em português com o dono do quiosque - que, sem entender muita coisa, ficou plantado a uma distância segura, para averiguar qual era a bandalheira da vez - o gringo começou a gritar "Que porra você está falando? Eu não entendo sua língua de merda, nigger*". Ok. Aqui a idéia de enfiar a mão na cara dele realmente passou a fazer parte dos meus planos para o encerramento da curta estadia no Rio. "SAI FORA", eu lati, quando o empurrei. Ele cambaleou pra trás, mas não caiu. E me empurrou de volta. "E devolve o meu isqueiro, porra", eu exigi, enquanto me endireitava. Estávamos prestes a nos engalfinhar em algum tipo de batalha absurda de rancor entre colonizado e colonizador. De uma forma bizarra, meu isqueiro - que o gringo exibia como um pequeno troféu - tinha se tornado o protocolo de Kyoto, o FMI, as duas guerras do Iraque, o turismo sexual e um pouco mais.

*nigger=crioulo. Palavra extremamente ofensiva e de cunho racista, praticamente banida do vocabulário estadunidense comum depois dos famosos levantes pelos direitos humanos e pela igualdade entre as diferentes etnias. No entanto, ainda é muito utilizada - de forma amistosa - entre alguns grupos de afro-americanos. Costuma também ser empregada por racistas retrógrados para designar quase qualquer pessoa que não seja "branca".

Antes que o pior acontecesse, o gringo disse "Ok, vou chamar meu amigo ali, que vai confirmar se você é o cara que me roubou os 40 paus, enquanto isso seu isqueiro fica comigo", e foi se afastando, para trás de um outro quiosque. Tive pouco tempo pra planejar o que eu faria a seguir. Eu queria rachar a cabeça do maldito, mas pensei que seria pouco recomendável aparecer no trabalho no dia seguinte com um olho roxo, o supercílio rasgado ou qualquer coisa assim - seria difícil explicar que em pouco menos de 12 horas no Rio eu tinha conseguido me arrebentar em uma treta com um estrangeiro ignorante que passava férias no Brasil. O dono do quisque finalmente chegou perto de mim, e perguntou o que estava acontecendo. Em meio à nuvem vermelha e negra de raiva que embaçava a minha visão, consegui, de algum jeito fazer um breve resumo do acontecido. "Ah, mas nós vamos pegar esse gringo de pau!", o quiosqueiro bufou! Pude ver que não era blefe quando ele buscou uma ripa atrás do balcão. "Do jeito que eu adooooro, americano", ele ironizou, enquanto brandia o pedaço de madeira.

Eu havia pego minha mochila e a enorme mala vazia que me acompanhavam e as colocado em segurança, perto da entrada do quiosque. "Fica tranquilo, meu irmão. Deixa suas coisas aí, sossegado, que nós vamos arrebentar esse cara! Você tava aí na sua e o cara vem mexer contigo? Vamos quebrar ele no pau", ele continuou. Um casal que namorava tranquilamente em uma das mesas de plástico já havia se levantado e agora estava parado - os dois aterrorizados - no fio de calçada que separava a ciclovia instalada na orla da avenida, onde o trânsito começava a morrer. Antes disposto a arrancar os dedos do gringo com os dentes, eu começava a ficar preocupado - principalmente por conta do tacape na mão do dono do quiosque - conforme manchetes fictícias de grandes jornais cariocas se instalavam na minha cabeça. "Jornalista e vendedor assassinam turista americano em Copacabana", "Sangue na orla - briga por dinheiro de prostituição leva turista estrangeiro à morte no Rio de Janeiro" e assim por diante. "Preciso me acalmar", pensei.

E então o gringo voltou, acompanhado de seu amigo, que segurava uma lata de cerveja e também trajava apenas bermudas e camiseta. Tinha os cabelos ruivos algo compridos, e cara de turista "Rio de Janeiro-samba-carnaval-mulata". "E então? Não é esse o cara?"
, perguntou o gringo nº 1. Eu comecei a andar na direção deles, disposto a recuperar meu isqueiro e ir embora, antes que alguém chamasse a polícia. "Não, cara, não parece ser ele", o amigo respondeu. Perplexo, o gringo ficou olhando pra mim, sem saber o que dizer. Meus olhos deviam estar em brasa quando aproveitei a brecha e tomei meu isqueiro da sua mão, estendi um colossal dedo do meio em sua cara e saí andando de volta pro quiosque, para confabular com o vendedor. Meu mais novo inimigo pensou por alguns segundos e veio me estender a mão. "I'm sorry, man. I'm sorry", ele disse cabisbaixo. Hoje, de volta à selva de pedra, confortavelmente instalado em minha cadeira em frente ao computador, eu penso que, talvez, aceitar as desculpas do gringo fosse a coisa certa a se fazer. Mas não o fiz.

Não sei ao certo como comecei a frase seguinte, mas tenho sérias suspeitas de que foi com "FUCK". Colei meu rosto ao do americano/inglês e bradei um sem-número de palavrões, todos evidentemente acompanhados de dezenas de perdigotos - brasileiros, com orgulho. Primeiro ele ficou surpreso, e depois quis bancar o macho mais uma vez, no que foi exemplarmente enxotado pelo quiosqueiro, que quase o levou ao chão, com um empurrão. Por sorte o pedaço de pau jazia, tranquilo, ao chão da orla. Foi tragicômico ver o vendedor - "paraíba" como ele mesmo se definiu depois - correndo atrás do gringo por alguns metros gritando "Son of a bitch! Son of a bitch!". Quando a celeuma finalmente pareceu resolvida - o quiosqueiro ainda apertaria minha mão efusivamente e reafirmaria seu ódio por americanos por mais alguns instantes - eu e meu isqueiro rumamos para a Atlântica pegar um táxi.

Como uma bala

À vista do primeiro carro amarelo rolando pelo asfalto, estendi o dedo, e fui prontamente atendido. Não me lembro do modelo do veículo, mas acho que era um Gol. Entrei no táxi, e o motorista fumava nervosamente um cigarro de cheiro adocicado - cravo, talvez? "E aí, companheiro? Se importa se eu terminar esse aqui?", ele perguntou. "Não, claro que não. Fica tranquilo. Vamos pro Santos Dumont, por favor", eu respondi. "Acredito que você não vá se incomodar se eu também fumar, não é?", eu segui, acendendo um cigarro, ainda emputecido pelo épico que se desenrolara em Copacabana. Ah, se eu soubesse o que ainda estava pra me acontecer...

"Meu, eu queria saber o que você faria se estivesse no meu lugar...", o taxista disparou. "Manda...", eu disse - irresponsável como de costume. "Cara, seguinte. Esse carro aqui é de frota, saca? De empresa. Aí a minha mulher ficou me enchendo o saco pra arrumar um trampo pro marido da prima dela. O cara é um folgado, nunca trabalhou a sério, largou a mulher quando ela teve o primeiro filho e depois voltou, não faz nada direito. Um merda do caralho. Aí ficaram os dois, a minha mulher e o cara me enchendo o saco pra arrumar um trabalho pra ele. Eu não queria, sabe? Pô, eu sei que o cara não presta! Mas, tudo bem, fui lá e indiquei ele pra empresa. O que o filhadaputa me faz? Arruma uma dívida de 800 reais com a empresa! Ficou 4 dias com o carro, sem circular, sem pegar passageiro, sem fazer dinheiro e a diária* correndo! E agora o desgraçado diz que não tem grana pra pagar! A dívida vai vir pra mim, que indiquei ele! Agora me fala, o que eu faço com um filhadaputa desse? Me dá tua opinião, brother". "Putz", pensei. "Mais um doido. Mais um".

*diária=taxa paga pelos taxistas para a empresa dona dos carros, contada por dia em que o veículo fica com o motorista.

Enquanto eu pensava em como a minha viagem tinha oficialmente se transformado num filme do David Lynch, o taxista acelerava cada vez mais, dançando perigosamente pelas faixas da avenida. E ele queria a minha opinião. "Diz aí, brother! O que eu faço com um cara desse? Eu desencano? Eu pago a dívida e espero ele arrumar dinheiro pra me pagar? Eu meto a mão na cara dele? O que eu faço? Eu tô indo encontrar ele na garagem da empresa daqui a pouco. Depois que te largar no aeroporto eu tô correndo pra lá pra conseguir pegar ele. O que eu faço com esse filhadaputa, cara?", ele batia as mãos no volante e falava com um sotaque carioca extremamente malaco. Estávamos a uns 120 km/h, e eu finalmente perguntei "Mas ele é seu parente ou o quê?". "Que nada, brother! Ele não tem meu SANGUE, cara! Ele é marido da prima da minha mulher. Um vagabundo do caralho", ele gritou. "Ah, então dá uma 'coça' nele, ué!?", eu disse, já sem muita paciência e consideração pelo estado físico futuro do tal vagabundo.

"É isso aí! Vou enfiar a mão na cara dele lá na garagem, na frente de todo mundo! E toda vez que eu encontrar esse cara eu vou pegar ele, onde ele estiver! Filhadaputa". Ele parecia, enfim, ter encontrado a reposta que queria, acelerava cada vez mais, praguejava e buscava o celular no bolso. Tive medo de que ele desistisse de me levar pro aeroporto, pra não perder a oportunidade de brigar com o "filhadaputa" que o tinha "queimado na empresa". Primeiro, ligou pra um colega de trabalho que, acho, tentou dissuadí-lo de seus planos agressivos. "Não, mermão, segura ele aí até eu chegar, que eu vou quebrar ele", encerrou. Depois foi a vez da sua mulher. "Você viu a merda que você me arrumou, Luzia? Você viu o que esse filhadaputa me fez?". Não pude deixar de imaginar a mulher, sozinha em casa, chorando ao telefone, temendo pelo final trágico da história. Eu temia pela minha vida, a cada ligação e pisada no acelerador.

Por fim, foi a vez da mulher do dito cujo que arrumou a dívida. "Cadê esse filhadaputa, Cristina? (...) O quê? (...) Ele não aparece em casa desde ontem? (...) Ele tá cheirando, Cristina! Abre o olho! Esse vagabundo não presta! Ficou quatro dias com o carro em casa, coçando o saco! Me arrumou 800 contos pra pagar! (...) Eu vou pegar ele onde ele estiver, Cristina! Ouve o que eu tô falando! Pode ser na frente da filha dele, onde for! E se eu vir ele na rua passo com o carro por cima dele, porra".

Quando ele desligou o telefone pela última vez, nós já estávamos estacionando no aeroporto. Contei, por alto, uns sete minutos do ponto inicial ao final, o que achei muito pouco. O taxímetro marcava R$ 18,40. "Você faz uma notinha pra mim, por favor?", eu pedi, com o coração disparado. "Claro, mermão. Você quer que eu faça de quanto?", ele perguntou. Engoli seco. "Te dou vinte e tá certo, pode ser?". Saí do carro, não sem antes dizer um tímido "Vai com calma, ok?". Peguei minha bagagem no porta-malas e ainda consegui ouvir o celular do taxista tocando antes que ele disparasse, cantando pneus, em direção ao seu destino.

Pouco depois, sentado no saguão de embarque do Santos Dumont, não consegui deixar de pensar em quais seriam as manchetes dos principais jornais cariocas do dia seguinte...