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10.2.10

Que tal reajustar o conforto no Metrô?

Quem não é de São Paulo talvez não saiba que a tarifa do Metrô da capital paulista acaba de ser reajustada. De R$ 2,55 foi para R$ 2,65 nesta última terça-feira (09/02/10).

Quem não é de São Paulo talvez também não saiba o que é andar de Metrô em horários de pico por aqui. Bem, eu mostro pra vocês. Fotos tiradas hoje (quarta-feira, 10/02/10) por volta das 09h30 da manhã na estação Paraíso (entroncamento da Linhas 1 - Azul [Tucuruvi-Santana] com a Linha 2 - Verde [Sacomã-Vila Madalena]), na plataforma de embarque para o sentido Vila Madalena e dentro do trem (depois de uma espera de quase 10 minutos para conseguir embarcar).


Estação Paraíso, Metrô de São Paulo


Estação Paraíso, Metrô de São Paulo


Estação Paraíso, Metrô de São Paulo


Estação Paraíso, Metrô de São Paulo


Compare agora com duas imagens retiradas das campanhas publicitárias da chamada "Expansão São Paulo".

Quanto será que custou essa campanha?


Quanto será que custou essa campanha?

Faça as contas... E como diria o professor: "E o salário, ó!"

22.11.09

O fórum que não estava lá


Fórum Digital da Cultura Brasileira: cadê a sociedade, negra ou branca?

Sexta-feira. Dia 20 de novembro de 2009. Cinemateca Brasileira, cidade de São Paulo. Dia da Consciência Negra, e o que mais me espantou não foi o escasso número de negros na plateia das atrações musicais na tenda do Fórum Digital da Cultura Brasileira (embora isso tenha me deixado puto sobremaneira). Não, o mais digno de nota foi a pouca presença no geral. Minha observação encontrou razão de ser nas palavras de um conhecido que (infelizmente) tinha alguma relação com a organização do evento. "Não divulgaram pra não encher, mesmo", foi a justificativa.

O argumento não valia apenas para o espaço musical, mas para o fórum em si, que pretendia
"consolidar os debates e propostas produzidos até o momento sobre as novas tecnologias digitais" além de ser "um processo permanente de discussão sobre os impactos das novas tecnologias na transformação da cultura e da democracia no país, reunindo agentes governamentais e da sociedade civil em uma rede social pública e livre. De forma horizontalizada, os participantes apontam diretrizes para formulação de políticas públicas de cultura digital". Tudo isso de acordo com o texto de divulgação oficial, publicado no site do MinC (um dos poucos lugares onde o encontro foi divulgado). O mesmo release (dá pra chamar assim?) afirmava que o fórum seria "aberto e gratuito. Para participar, é necessário fazer cadastramento na entrada da Cinemateca sujeito à lotação das salas. Os integrantes da rede culturadigital.br terão prioridade no acesso, por isso a organização recomenda o cadastramento prévio".

Porra, não foi isso que eu vi. Posso estar errado, mas, acho que pouquíssima gente sabia da existência do fórum e até mesmo de sua rede social, lançada em meados deste ano. Pelo que pude observar, adesão da sociedade foi o que menos rolou, ficou restrita a "meia dúzia de ONGs". Como não participei das discussões de fato - fui chamado, naturalmente, só para o oba oba -, não posso versar muito a respeito. No entanto, posso falar que lá ouvi boatos (e deixo claro aqui que não os estou tomando como verdade) de que o evento teria custado algo em torno de R$ 500 mil. E que uma bala teria sido gasta para trazer participantes (e seus amigos) do Rio de Janeiro para São Paulo, de avião, com direito a hospedagem e van para levar e trazer de onde quer que fosse. Disseram-me também que os cartazes que seriam usados na suposta divulgação teriam chegado apenas naquele mesmo dia (o evento começou em 18/11).

E tudo acabou em samba


Orquestra de Tambores de Aço: no palco, um "Salve, Zumbi". Fora dele...

As atrações musicais (motivo pelo qual eu estava lá, já que nem sabia da existência do Fórum - achei que eram shows em comemoração ao 20 de novembro) foram um capítulo à parte. A programação que me foi passada como "umas apresentações em um evento ligado a cultura digital, na faixa" incluia a formação recente da Banda Black Rio e Mano Brown, líder dos Racionais MC's.

Programadas para começar às 18h00, as apresentações atrasaram. O lance todo começou bem depois das 19h00, com a Orquestra de Tambores de Aço (steelpan) da Casa de Cultura Tainã. Só soube que o grupo - musicalmente excelente, por sinal, repleto de crianças que apavoraram nos pans - estava mesmo previsto para tocar quando finalmente consegui arranjar o programa do evento (abaixo).



Nessa lida, descobri que Macaco Bong já havia subido no palco dias antes, e que a participação de Brown naquele dia era "(a confirmar)". Descobri logo que a aparição do "francoatirador" deveria estar mais do que fechada, já que o senador Eduardo Suplicy (fã confesso dos Racionais) circulava já no início da apresentação da Black Rio. Pensei em entrevistá-lo, mas preferi não incomodar. Além do que, eu corria um risco muito grande de perder o resto da noite nessa tarefa.


Banda Black Rio: da formação original só restou o filho do Oberdan (teclado)


Senador Suplicy curte um som: cadê o Brown?

A adesão já aumentava um tanto, visto que os debates haviam acabado há tempos. No entanto, já vi o Neu Club mais cheio em dias fracos. A barraquinha que vendia cervejas mais ou menos geladas por 3 pratas colhia os frutos da falta de concorrência. Vi algumas garrafas de Chandon desfilando em baldes de gelo, mas logo descobri que não eram pro meu bico.


Cai a noite no fórum: 3 pratas pra ver a banda passar com uma cerveja na cabeça

Quando Brown apareceu, vestindo uma camisa polo da Nike, houve um quase-surto. Todo mundo colou na beira do palco para ver o rapper esbravejar (menos) e brincar (mais) junto com a Black Rio e seus compas, sempre, sempre presentes. Estranhei o bom humor de Brown, provavelmente por estar acostumado a vê-lo em situações bem mais tensas. Nesse contexto, "Vida Loka II" (uma das músicas mais lancinantes e ácidas dos Racionais) me pareceu meio flácida e sem sentido. O volume baixo dos microfones também não ajudou.


Mano Brown: vida loka?

Aquela noite do fórum acabou com um pout-pourri de sambas e sambas-rock famosos executado à perfeição pela Black Rio. "Meio que como tudo no Brasil", não pude deixar de pensar.


Peça que adornava o gramado da Cinemateca: podia estar escrito "incoerência"

*Colaborou Talita Zanetti

25.5.09

Sobre Luciana Gimenez e o antitabagismo


Johnny Depp: careteiro e fumador contumaz, o ator já declarou sua intenção de criar a Air Smoke, cia. aérea onde fumar seria obrigatório

[ego]*
*Antes que comece a ler, é bom saber que, invariavelmente, isso tudo aqui abaixo vai ser sobre mim. Então, se te incomoda esse tipo de egocentrismo, clique no "x" no canto superior direito do seu navegador, ou então na seta (geralmente de cor verde ou azul) voltada para a esquerda no canto superior esquerdo. E, talvez, sendo esse o seu caso, valha a pena pensar duas vezes antes de entrar novamente em um blog. De resto, postagens assinaladas com essa tag [ego] irão (e irão mesmo) versar sobre o mesmo tema.*

Bem. Eu ia falar do José Serra no Twitter. Juro que ia. Tinha até um título grandiloquente para a postagem - "A morte da exclusiva" - que me faria rebolar pra combiná-lo com o texto (nada mais que uma análise minuciosa da relevância e conteúdo dos 140 caracteres em série postados pelo governador de São Paulo desde o dia 18 de maio). Mas tenho mais o que fazer, então vou falar de banalidades.

Quem me conhece um pouco (e basta olhar a foto do perfil) sabe que sou fumante. E que gosto de fumar. E que não estou tentando parar. Aliás, a única frase que talvez eu já tenha dito mais vezes do que "Oi" seja "Um maço de L&M azul, por favor". Por uma série de motivos isso já me torna uma espécie em extinção. Ok, sei que pertenço a uma vasta gama de maiorias - não creio exatamente em Deus, sou heterossexual, tenho medo de mulher, etc. - mas essa categoria, em particular, é muito pesada pra se carregar.

Não bastando o sem-número de olhares de reprovação, tossezinhas incomodadas (mesmo a metros de distância em locais plenamente arejados e/ou abertos) e abanadas idignadas que nós (os 5 fumantes que restam na face da Terra) temos que aguentar diariamente, ou quase, ainda me inventam de aumentar o preço do cigarro para reduzir o IPI de materiais de construção e bolam (e aprovam) uma lei que nos proíbe de fumar em bares e similares.

Certo. Sou a favor da lei que o Serra insiste em chamar de "proteção aos não fumantes" desde o início. Acho que seus benefícios seriam (serão?) incalculáveis. Não assisti à brilhante defesa que o futuro candidato do PSDB à presidência deve ter apresentado por conta dessa lei no Super Pop - um programa sempre reconhecido pela qualidade e pertinência de seus debates - (e para o desespero de deus asseclas mais esclarecidos, espero) mas creio nele com os olhos vendados e ouvidos tapados, como quando confiei em sua explicação extremamente embasada sobre a forma de transmissão da grípe suína.

Mas, porra, impedir que se fume em um bar é como... Bem... Como impedir que se admire as mulheres em trajes de banho passeando na praia. Ou algo do gênero. Enfim, use a imaginação. Mas deu pra captar o sentido, não? Dito isso, deixo registrado meu protesto de incrível inconsistência argumentativa e - desconfio que a esta altura eu só esteja sendo birrento, mesmo - falta de lógica sanitária (?).

Mas, parafraseando Johnny Depp, ator careteiro e fumador contumaz, que certa vez declarou sua intenção de criar a Air Smoke, cia. aérea onde seria obrigatório fumar, proponho que alguma alma provida de bom senso e paixão pelas coisas boas e terríveis da vida se junte a mim em uma nova cruzada. Por que não criar uma categoria diferente de estabelecimento versado na comercialização de bebidas alcoólicas (hahaha) onde seja proibida a entrada e permanência de não fumantes (esses seres desprezíveis), sob pena de multas pesadas ao proprietário da espelunca em questão? Onde todos, desde a faxineira até a hostess "montada" parada na porta com um ar blasé tenham, pela força da lei (essa instituição miraculosa dos homens), que ostentar um cigarro pendurado na boca?

Aliás, a exemplo dos nossos inimigos, por que não criar uma força-tarefa (já que a criminalidade anda em baixa, o que nos permite tais devaneios) para fiscalizar esses locais? "Não está fumando? Não seja por isso, mermão. Toma cá um crivo. Mas fica esperto, que da próxima vez vai pra delega, hein? Não alivio duas vezes pra malandro".

Ótimo. Talvez pegue. Quem sabe? Posso até convencer a Luciana Gimenez de que isso é uma boa (para desespero dos meus asseclas mais esclarecidos, espero).

Em tempo: estou reduzindo. Espero um dia ter vontade de, afinal, parar, como já fez (felizmente) meu pai, a quem admiro por ter largado esse hábito nojento e delicioso (e não só por isso) há mais de 5 anos, depois de ter fumado por uns 35. Mas espero que consigam inventar, antes disso, um cigarro que não faça mal. Afinal, já fomos à Lua, porra.