Johnny Depp: careteiro e fumador contumaz, o ator já declarou sua intenção de criar a Air Smoke, cia. aérea onde fumar seria obrigatório[ego]**Antes que comece a ler, é bom saber que, invariavelmente, isso tudo aqui abaixo vai ser sobre mim. Então, se te incomoda esse tipo de egocentrismo, clique no "x" no canto superior direito do seu navegador, ou então na seta (geralmente de cor verde ou azul) voltada para a esquerda no canto superior esquerdo. E, talvez, sendo esse o seu caso, valha a pena pensar duas vezes antes de entrar novamente em um blog. De resto, postagens assinaladas com essa tag [ego] irão (e irão mesmo) versar sobre o mesmo tema.*Bem. Eu ia falar do José Serra no Twitter. Juro que ia. Tinha até um título grandiloquente para a postagem - "A morte da exclusiva" - que me faria rebolar pra combiná-lo com o texto (nada mais que uma análise minuciosa da relevância e conteúdo dos 140 caracteres em série postados pelo governador de São Paulo desde o dia 18 de maio). Mas tenho mais o que fazer, então vou falar de banalidades.
Quem me conhece um pouco (e basta olhar a foto do perfil) sabe que sou fumante. E que
gosto de fumar.
E que não estou tentando parar. Aliás, a única frase que talvez eu já tenha dito mais vezes do que "Oi" seja "Um maço de L&M azul, por favor". Por uma série de motivos isso já me torna uma espécie em extinção. Ok, sei que pertenço a uma vasta gama de maiorias - não creio
exatamente em Deus, sou heterossexual, tenho medo de mulher, etc. - mas essa categoria, em particular, é muito pesada pra se carregar.
Não bastando o sem-número de olhares de reprovação, tossezinhas incomodadas (mesmo a metros de distância em locais plenamente arejados e/ou abertos) e abanadas idignadas que nós (os 5 fumantes que restam na face da Terra) temos que aguentar diariamente, ou quase, ainda me inventam de aumentar o preço do cigarro para reduzir o IPI de materiais de construção e bolam (
e aprovam) uma lei que nos proíbe de fumar em bares e similares.
Certo. Sou a favor da lei que o Serra insiste em chamar de "proteção aos não fumantes" desde o início. Acho que seus benefícios seriam (serão?) incalculáveis. Não assisti à brilhante defesa que o futuro candidato do PSDB à presidência deve ter apresentado por conta dessa lei no
Super Pop - um programa sempre reconhecido pela qualidade e pertinência de seus debates - (e para o desespero de deus asseclas mais esclarecidos, espero) mas creio nele com os olhos vendados e ouvidos tapados, como quando confiei em
sua explicação extremamente embasada sobre a forma de transmissão da grípe suína.
Mas,
porra, impedir que se fume em um bar é como... Bem... Como impedir que se admire as mulheres em trajes de banho passeando na praia. Ou algo do gênero. Enfim, use a
imaginação. Mas deu pra captar o
sentido, não? Dito isso, deixo registrado meu protesto de incrível inconsistência argumentativa e - desconfio que a esta altura eu só esteja sendo birrento, mesmo - falta de lógica sanitária (?).
Mas, parafraseando Johnny Depp, ator careteiro e fumador contumaz, que certa vez declarou sua intenção de criar a
Air Smoke, cia. aérea onde seria
obrigatório fumar, proponho que alguma alma provida de bom senso e paixão pelas coisas boas e terríveis da vida se junte a mim em uma nova cruzada. Por que não criar uma categoria diferente de estabelecimento
versado na comercialização de bebidas alcoólicas (hahaha) onde seja proibida a entrada e permanência de não fumantes (esses seres desprezíveis), sob pena de multas pesadas ao proprietário da espelunca em questão? Onde todos, desde a faxineira até a hostess "montada" parada na porta com um ar
blasé tenham, pela força da lei (essa instituição miraculosa dos homens), que ostentar um cigarro pendurado na boca?
Aliás, a exemplo dos nossos inimigos, por que não criar uma força-tarefa (já que a criminalidade anda em baixa, o que nos permite tais devaneios) para fiscalizar esses locais? "Não está fumando? Não seja por isso, mermão. Toma cá um
crivo. Mas fica esperto, que da próxima vez vai pra delega, hein? Não alivio duas vezes pra malandro".
Ótimo. Talvez pegue. Quem sabe? Posso até convencer a Luciana Gimenez de que isso é uma boa (para desespero dos meus asseclas mais esclarecidos, espero).
Em tempo: estou reduzindo. Espero um dia ter vontade de, afinal, parar, como já fez (felizmente) meu pai, a quem admiro por ter largado esse hábito nojento e delicioso (e não só por isso) há mais de 5 anos, depois de ter fumado por uns 35. Mas espero que consigam inventar, antes disso, um cigarro que não faça mal. Afinal, já fomos à Lua,
porra.